Saudade

Acho que dentre todos os meus sentimentos diários, a saudade é a maior das companheiras. Sinto saudade o tempo todo. Acho que isso é o que chamam de nostalgia. Sinto saudade do recreio da escola, da bagunça no fundo da sala e da biblioteca movimentada. Tenho saudade daquela fazenda, do cheiro de folha nova no meu livro favorito, do abraço da minha avó e da gargalhada da minha tia. Saudade do meu mega drive, dos domingos ensolarados no clube, do golzinho na rua de cima, da minha caixa de hominhos e do quebra-cabeças que nunca enjoei de montar. Tenho saudade daquele filme que eu sei as falas de cor ainda hoje, da piscina gelada, dos meus primos que cresceram e estão distantes, do meu irmão que não mora mais comigo, de ouvir a fita da minha banda favorita, daquela nossa viagem, do pé de goiaba, do meu amigo que foi morar em outro país e também daquele que mora bem do lado de casa. Sinto saudade do pão molhado no Toddy, da manga lambrecando toda a roupa, da minha cachorrinha correndo pelo quintal, do futebol na pracinha, do banho de chuva no fim de tarde e da casa na árvore. Tenho saudade de você que mora em outra cidade. Saudade do tempo que passamos juntos. Saudade também de pessoas que ainda estão por aqui, mas não são mais as mesmas. Saudade até mesmo do dia de ontem, que não aproveitei como deveria. Acho que no fundo tenho saudade de mim mesmo. Do que já fui, e que hoje não me permito mais ser. Mas reflito e concluo. A verdade me conforta. Infeliz aquele que não sente saudade.

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